No final do mês de abril, a gente fez um exame médico lá na Universidade de Osaka. Todos os alunos da graduação, pós-graduação e alunos pesquisadores (meu caso), tinham que fazer essa bateria de exames.
E foi aí que eu percebi como os japas já possuem na mente o conceito de linha de produção, apesar daqui ser o país do sistema Toyota... Ok, vamos deixar a discussão produteira de lado e vamos descrever o que aconteceu nesse dia! Foi assim:
A gente já trazia de casa um questionário respondido sobre o histórico de doenças (era tipo um gabarito de vestibular) e também levava uma amostra de urina no pee pole (tinha que ser o segundo jato do primeiro xixi matinal – veja fotinho do pee pole que eu roubei do blog de alguém).
Eram várias barraquinhas que a gente tinha que passar. Primeiro, a gente fazia um cadastro, era só mostrar nosso 学生証 (carteirinha de aluno) que a gente ganhava um cartãozinho. Assim, toda vez que parávamos numa barraquinha, a gnt mostrava o cartão, o cara colocava automaticamente no sistema, e todos os resultados dos exames eram registrados! Tecnologia de informação na veia!!! E olha que era tudo barraquinha mesmo!!!
Bom, primeiro a gente entregou a amostra de urina... Meio constrangedor ver uma garota abrir o pee-pole na sua frente, pegar uma gotinha, verificar o nível de pH e registrar o resultado no computador.. Mas enfim, foi rápido!
Em seguida, a gente tirou uma chapa do pulmão... Tinha uma barraquinha com várias cestas enfileiradas. Lá você entrava, tirava a mochila e todas as blusas e ficava só com uma camiseta (esse dia tava muuuito frio.. lembro que tava com duas blusas bem grossas!) congelando enquanto esperava na fila... eram vários japas enfileirados tremendo de frio enquanto esperava sua vez de entrar num caminhão (isso mesmo, era um caminhão), que tinha o aparelho de raio-x. Observação pertinente: mulheres e homens tinham barraquinhas separadas nesse estágio!
Enquanto eu estava esperando na fila que eu percebi como os japas tinham o conceito de linha de produção na cabeça... pq eram várias pessoas que ficavam gritando o que tinha que fazer... tipo, eles ficavam gritando literalmente: “siga até a próxima estação”; “ache uma cesta vazia e deixe seus materiais”; “fique apenas com uma camisa fina”; “aperte um pouco mais a fila pra que as pessoas possam passar”; “as cestas estão todas cheias, por favor, espere ai fora até que abra mais espaço”... Tipo, se você prestar atenção, eles estavam usando conceitos como fluxo, capacidade ocupada, ritmo, etc....
Tá, pode ser que eu esteja viajando.. mas o que me impressionou foi a quantidade de pessoas envolvidas e como todos se preocupavam com a continuidade do processo... mas enfim...
Em seguida, a gente foi pra dentro do prédio pra medir altura e peso, depois pra outra sala pra medir pressão, outra sala pra exame de vista e finalmente entrega do questionário para uma banca de médicos! (dentro do prédio, tinham uns adesivos no chão indiciando qual caminho você deveria tomar).
Enfim,tinha muita gente nesse dia fazendo os exames, mas consegui fazer tudo isso em menos de meia hora! Eles são realmente organizados e rápidos – linha de produção humana na veia total!


Um comentário:
Uau Hide!
Eu estava lendo o post e já estava imaginando umas 2/3 horas desse processo e no fim vc escreve 1/2 hora! hahaha...show! Linha de produção fordista pós-segunda guerra! hahaha
abs
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