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sábado, 8 de outubro de 2011

PARTY SEKIGUCHI LAB

No comecinho de outubro, um dos membros do nosso laboratório nos convidou para uma festa em sua casa. Como eu ainda não tive a oportunidade de falar sobre os novos membros do laboratório, vou aproveitar para fazer agora.

Esse ano entraram muitos alunos novos, principalmente chineses. No mestrado entraram 6 pessoas (4 chineses, 1 nepalesa e 1 japonês), enquanto no doutorado entrou apenas eu. Além disso, temos mais dois alunos pesquisadores (1 chinês e 1 búlgaro). O meu sensei é conhecido no departamento por aceitar muitos alunos estrangeiros. Coincidência ou não, o único japonês que entrou nesse ano morou a maior parte da vida no exterior.

Na foto abaixo, estão Shuu da China (M1), Mohan do Nepal (M1), Sou da China (M1), Maki do Japão (M2), Emily da Hungria (M2), Popov da Bulgária (aluno pesquisador), meu sensei, Hosomi do Japão (D2), Cheng da China (M1), eu (D1) e Li da China (aluno pesquisador).

Com toda essa internacionalização, o Maki-san (dono da casa) sugeriu que cada um levasse um prato típico do seu país. Assim, eu levei duas fornadas de pão-de-queijo e mais uma garrafa de MAKKORI (uma bebida coreana). Além disso, a gente pôde comer SASHIMI e TAKOYAKI do Japão, GYOZA e batata frita da China, frango do Nepal e sopa da Hungria.

Essa foi uma ótima oportunidade pra gente vivenciar um pouco mais do ambiente japonês. O Maki-san é diretor local de uma consultoria multinacional e possui dois filhos bem novinhos. A seguir, seguem mais fotos da festinha.

terça-feira, 27 de setembro de 2011

HOTOKU GAKUEN 2011 (報徳学園)

Há exatamente um ano, eu contei sobre um acampamento com adolescentes de 12 e 13 anos. Esse ano, fui novamente convidado para passar 3 dias junto com a mulecada.

O evento em si foi praticamente o mesmo do ano anterior, mas confesso que foram experiências bem diferentes. Não sei se foram os adolescentes do meu grupo que eram diferentes, ou se os estrangeiros convidados eram diferentes, ou se simplesmente sou eu quem estou diferente...

Os garotos do meu grupo eram menos envergonhados que os do ano passado... arriscaria dizer que dois deles eram os ‘populares’ da sala. Sabe aqueles garotos que naturalmente lideram a turma? Pois então, eles estavam no meu grupo... por esse motivo, eles não se importavam muito com a minha presença, eles estavam interessados em fazer gracinhas, chamar atenção do resto da sala, etc... outro ponto interessante, foi que nesse ano, os garotos pareciam ser mais ‘ligados’, sabe? Eles me disseram que acharam tal estrangeira bonita, perguntaram se eu tinha namorada, etc... no ano anterior, nenhum deles sequer tocaram nesse assunto.

Outro ponto interessante é que era comum ver os garotos abraçados, “brigando”, brincando... percebi nesses garotos um contato humano que não existe nos jovens e adultos japoneses... isso me levou a questionar quando o contato humano se torna proibido nesse país... claro, foi só uma divagação, e eu não cheguei a conclusão nenhuma, mas achei interessante pensar nisso...

Outra coisa triste que aconteceu, é que um dos garotos se machucou e foi parar no hospital. Era de noite e os garotos tinham sido liberados do jantar... naquela afobação, um dos garotos saiu correndo e acabou atravessando uma porta de vidro, tadinho... interessante que, mesmo todo ensanguentado, ele não chorou em momento nenhum... foi valente ao hospital e levou vários pontos na testa e no joelho.... ainda bem que não foi nada mais sério, né?

Em relação aos estrangeiros, a maioria eram chineses. A outra parte era distribuída ao redor do mundo, sendo moradores do alojamento de Minami Senri. Foi interessante interagir com essa galera e lembrar um pouco daquele clima ‘dormitório’ que estava acostumado. É muito bom sentir um pouco de calor humano e compartilhar um pouco das nossas angústias como estrangeiros no Japão. Quanto aos chineses, eu pedi umas aulas e aprendi umas expressões.. eita língua difícil.. hahaha...

O destaque desse ano foi o camping fire – momento em que eles montaram uma fogueira e assistimos a algumas apresentações das crianças. Olha, se ano passado eu comentei algo sobre sistema militar com crianças, eu diria que esse ano eu vi como é difícil manter a ordem com 300 moleques capetas... tipo, eu percebi como é difícil chamar a atenção deles, fazer com que entendam sua mensagem e ajam conforme as instruções... enfim, não estou defendendo o sistema militar com as crianças, mas...

Por fim, segue o video com a apresentação dos garotos. Assim como no ano passado, ensinei-os a cantar “escravos de jó”, mas eles não quiseram fazer a brincadeira que estamos habituados no Brasil. Ao invés disso, preferiram fazer uma brincadeira com pescoço... Olha a tal liderança que eu comentei lá em cima....

Enfim, mais uma ótima experiência que guardarei na memória. Engraçado perceber como as coisas mudam em apenas um ano, né??? Vamos ver como será daqui pra frente! :)

sábado, 3 de setembro de 2011

DREAMS COME TRUE (ドリカム)

O show aconteceu no dia 17 de novembro, mas estou postando em setembro porquê, a princípio, essa era a data para que ele ocorresse. Um querido tufão de número x (não me lembro mais qual número), fez o favor de atrasar o show em dois meses. Ah, dois meses é pouco né... Seria pouco se eu não tivesse comprado o ingresso em maio... Resumindo: após seis meses de espera (eu não me enganei, foram SEIS meses de espera!), eu finalmente fui para um show de um grupo de J-pop.

De cara eu já digo: valeu muito a pena! Dreams Come True é um grupo que conheço desde que ainda estava no primário. Naquela época, quem ouvia muito era minha irmã, que tinha vários cds e singles e escutava a música que eles cantavam no Kouhaku (competição de música organizada pelo canal NHK, que ocorre anualmente no último dia do ano) repetidas vezes pela fita de VHS. Nossa, issso é coisa de velho, né...

Bom, das músicas daquela época, eu me lembro de algumas: “Eyes to me”, “好き- SUKI”, “Winter Song”, “Love, Love, Love” entre outras. Abaixo segue um video de “Eyes to me”. Observação interessante é que o grupo tinha 3 integrantes, a vocalista (Miwa Yoshida), o baixista (Masato Nakamura) e o tecladista (Takahiro Nishikawa).

Hoje, o grupo já tem 23 anos desde sua primeira formação, e o tecladista saiu fora. Depois que cheguei ao Japão, eu descobri que tinham músicas daquela época do primário que fizeram muito sucesso, mas que eu não conhecia: “うれしい!たのしい!大好き! - URESHII! TANOSHII! DAISUKI!”, “未来予想図II – MIRAI YOSOUZU II”, “決戦は金曜日 – KESSENWA KINYOUBI”, dentre muitas outras. Tem uma música que os japas se amarram pra caramba e que tem uma letra muito bonitinha: uma garota que teva uma desilusão amorosa e agradece amiga pela companhia nesse momento difícil, segue abaixo o video de “サンキュ- Thank You”.


Com o tempo, eu fui conhecendo as músicas mais recentes, como: “何度でも – NANDODEMO”, 大阪Lover – Osaka Lover”, “Love Central”, etc. Bom, pelo histórico, deu pra perceber que gosto muito desse grupo e que esse show seria mais um daqueles momentos inexplicáveis né... novamente, passado misturado com presente, infância e atualidade... na hora que a Miwa-tyan entrou no palco eu estava chorando muito... como se um sentimento do passado viessse a tona, na minha frente, naquele momento!

Bom, deixa eu explicar um pouco do show. Trata-se de uma turnê especial chamada Wonderland, que ocorre a cada 4 anos e eles tocam as músicas escolhidas pelo público. Eles dividem o Japão em regiões e fazem uma votação regional para escolher a set list. Meu, é um show com uma mega estrutura, feita em estádios e com três horas de duração.

O show foi numa quinta-feira, no Kyocera Dome (que tem capacidade para 36.000 pessoas) e eu peguei um lugar bonzinho... tipo, eu conseguia pelo menos enxergar onde eles estavam (hahaha).... A Miwa-tyan vôou várias vezes por cima do público, andou de bicicleta, chorou, deu tchauzinho, etc... O Masa-san é meio tiozão, mas bem simpático, fez várias gracinhas durante a apresentação... com um show de três horas de duração, ela conseguiu cantar boa parte das músicas que eu gosto! Mas os destaques ficaram para: Thank you; Eyes to Me; Nando Demo; Nee; e Love, Love, Love... ah, segue duas fotinhas de fora do estadio... aqui no Japão é expressamente proibido tirar fotos do interior do estádio, correndo risco de ter todos os dados da câmera apagados e ser convidado a se retirar do local... o mais fenomenal é que todos obedecem a regra, sem exceção (inclusive eu!)

Bom, abaixo segue um video da turnê de 2007, pra vcs terem idéia da grandeza desse show.. uma pena o evento ter sido cancelado para novembro, pois o clima já estava mais friozinho e o estádio era coberto... mas enfim, valeu muito muito a pena!!!

domingo, 26 de junho de 2011

O LADO B DO JAPÃO (part 2)

A segunda diferença que percebi foram as longas horas que os alunos permanecem nas dependências da faculdade.... Tá certo que eu não sou nenhum modelo de dedicação ao horário de trabalho... mas muitas pessoas são presença constante no laboratório: chegam sempre antes de mim e vão embora depois...

Fico me perguntando sobre o grau de rendimento dessas pessoas... quando se trabalha num ambiente de humanas, em que o cérebro é o único e exclusivo meio de trabalho, não há santo que faça funcioná-lo por tantas horas seguidas... aí que eu percebo que muitas pessoas ficam na faculdade simplesmente matando tempo, acessando websites, serviços de redes socias, videos no youtube, etc... Aí eu te pergunto: pra quê fazer isso?

Isso pode ser explicado pelo modelo de gestão japonês, marcado pelo sistema de hierarquia (seniority), em que a recompensa é medida pelo tempo de trabalho na casa e pelo seu esforço, bem diferente do modelo americano de recompensa por resultado obtido. Eu não sofro muito com isso, porque meu orientador não controla meus horarios, mas tenho certeza que meus companheiros de laboratório devem me achar um `vagabundinho`, que quase nunca está no laboratório! hehehe...

Foi nesse ponto que mais uma máscara caiu pra mim... aquela imagem de japoneses trabalhadores e dedicados foi por água a baixo! Gente, eu não estou dizendo que eles não alcancem ótimos resultados em suas pesquisas (basta observar os avanços científicos alcançados por eles)... mas que uma parte do tempo eles estão apenas enrolando e matando tempo, isso eles estão! Às vezes me pergunto se eles não poderiam gastar esse tempo com sua família, ou bebendo uma cervejinha com os amigos, como costumamos fazer no Brasil... enfim, só estou divagando mais um pouco...

Bom, essas são as duas diferenças que mais me incomodam no momento... vou tentar postar mais coisas conforme for vivenciando.... Antes de finalizar, preciso dizer que apesar de tudo, eu respeito muito a cultura e os costumes desse país. O que eu penso sobre tudo isso é: se o governo japonês se dispôs a financiar meus estudos durante 4 anos, cabe a mim reconhecer, me adaptar, conviver e aprender com as diferenças.

Mas é claro que viver essa realidade é muito mais complicado do que simples palavras. Só vivendo aqui para entender o que estamos realmente passando... não são raros os momentos que eu me desanimo, falo mal de tudo e de todos e tenho vontade de jogar tudo pro alto... mas o que tento fazer é ter calma e encarar as coisas de uma forma mais positiva.

Acho que seria muito ingrato da minha parte ficar apenas criticando e salientando o quanto o meu país é melhor em determinados pontos. Se o Japão é tão ruim ou se o Brasil é tão melhor, acho que seria mais sensato desistir de tudo e viver aquilo que me faz bem (já dizia o sábio professor Caju que “a vida é feita de escolhas”). Mas calma, esse ainda não é o meu caso, gosto de viver aqui e não trocaria isso por nada (pelo menos por enquanto!).

Torçam para que eu consiga visualizar muito mais coisas positivas daqui em diante! Até a próxima!

sábado, 25 de junho de 2011

O LADO B DO JAPÃO (part 1)

1 ano e 2 meses escrevendo sobre o Japão e você, leitor desse blog, deve se perguntar: nossa, mas esse garoto só fala bem do país, será que tudo é tão bom e belo como ele diz?

Pois bem, acho que chegou o momento de escrever sobre o lado B do Japão. Antes de mais nada, gostaria de esclarecer que, o que escreverei a seguir tem a ver com os sentimentos de um descendente de japonês que nasceu e cresceu em um ambiente tupiniquim, com crenças e valores completamente opostas às que se têm por aqui.

Outra coisa que acho válido apontar, é que não se trata de uma comparação de quem é melhor ou pior... são apenas alguns sentimentos que tive e que me fizeram sentir um pouco assustado ou até triste.

A primeira coisa que me chamou a atenção no meu laboratório, foi a tal da “timidez” dos japoneses. Eu, como bom descendente, já sofri muito com a timidez no meu tempo de escola, em que eu tinha dificuldades para me relacionar com as pessoas ou até para “chegar junto” daquela garota.. mas depois de conviver com os japas por um tempo, passei a perceber que a timidez deles é um pouco diferente... cada vez mais sinto que é meio que uma desculpa para não encherem o saco deles...

Se tem uma coisa que eu aprendi aqui, é que as relações sociais são muito claras... os japas possuem uma capacidade inacreditável de distinguir colegas de trabalho e amigos. Por isso, eles conversam somente o necessário e com aqueles que possuem algum interesse. Tudo que estiver fora desse padrão, é considerado um “incômodo” (面倒くさい – MENDOU KUSAI).

É muito triste dizer isso, mas os estrangeiros geralmente acabam se enquadrando no grupo de colegas de trabalho que, por estarem fora do padrão de vida deles, são extremamente MENDOU KUSAI. Logo que cheguei aqui, todos diziam que os japas não falam com estrangeiros porque são tímidos, mas tenho a impressão que eles não falam com a gente porque é muito trabalhoso ter que falar em inglês, ou repetir a mesma coisa vinte mil vezes, ou fazer gestos para conseguir estabelecer o mínimo de comunicação...

Enfim, toda essa divagação para dizer que numa sala de pesquisa com 35 seres, existem dias em que eu entro e saio sem trocar nenhuma palavra com ninguém... Algumas pessoas se limitam a balançar a cabeça ou a dizer um `bom dia`, outras chegam ao cúmulo de baixar a cabeça quando cruzam com você no corredor... parece besteira, mas isso é uma coisa horrível, principalmente para nós, latinos, acostumados com o calor humano...

Tendo em vista essa situação, não são raros os dias em que eu almoço ou tomo café sozinho também.. mas sabe o que é mais estranho? Existem muitos japoneses solitários também... é como se o MENDOU KUSAI não se limitasse apenas aos estrangeiros, mas para todas as relações sociais... como se fosse muito trabalhoso manter qualquer tipo de relação e pudesse resolver tudo por conta própria... muito bizarro!!!!

Gnt, o post está ficando muito comprido... como sempre, dividirei-o em dois!

sexta-feira, 20 de maio de 2011

FAXINA DAS DEPENDÊNCIAS DA FACULDADE

Continuando com a série de diferença entre Brasil e Japão, aí vai uma característica bem curiosa: faxina.

No Brasil, especificamente na UFSCar, existia uma cooperativa de senhoras que eram responsáveis pela limpeza de toda a universidade. Assim, estas passavam quase que diariamente nas salas de estudos para retirar o lixo e passar um pano tanto nas mesas como no chão... Acho que isso é algo bem da cultura brasileira, de manter o ambiente limpo pagando alguém pra fazer esse trabalho...

Aqui, não existe essa `mordomia`... tanto a sala de estudos como a sala de computadores são limpos pelos próprios alunos, sendo possível encontrar vassouras e panos para que cada um faça a sua limpeza... Além disso, a retirada do lixo é feita por aquele que primeiro notar que a cesta está suficientemente cheia pra colocá-la para fora. Ainda no meu laboratório, haverá no final do semestre uma limpeza geral da sala (não me pergunte como será isso, pq eu não faço a mínima idéia...)

Ah, em relação à sala de xerox e a “refreshing room” (não sei qual a melhor forma de traduzir isso), há um rodízio entres os laboratórios para efetuar a limpeza. Entre as atribuições, estaria colocar o lixo para fora, limpar a mesa, cadeira e cozinha e verificar se o nível de papel da máquina copiadora está adequado... Outra curiosidade é que apenas os alunos do primeiro ano do mestrado (M1) fazem essa limpeza... tipo, o chefão colocou uma tabela na lousa para que os alunos colocassem um sinal quando a sala já tivesse sido checada... msm não sendo obrigado, eu me ofereci para ajudar nessa limpeza também...

Você deve estar se perguntando se esse sistema funciona.... bom, eu particularmente, acho que não!!! A sala de computadores, por exemplo, é bem sujinha, cheia de pó ao redor do monitor e com o teclado e mouse meio ‘grudentos’... a refreshing room é a pior de todas... a cesta de lixo sempre fica transbordada de lixo fedido orgânico e precisa de muita coragem para usar o microondas... dá a impressão de que tem comida da década passada lá....

Mas assim, acho que poderia ser muito pior! Não é algo insuportável, só precisa de um tempo para se acostumar.. hehehe... Mas eu fico pensando como seria se se esse mesmo sistema fosse adotado no Brasil... tenho a impressão de que seria muuuuuito pior...

Mas enfim, bora viver com as diferenças culturais e se adaptar, né?

domingo, 15 de maio de 2011

SALA DE PESQUISA (研究室)

Todos os alunos regulares de pós-graduação têm direito a uma sala de estudos dentro do departamento. Em japonês, eles chamam de KENKYUUSHITSU (研究室) que, traduzindo, fica sala de pesquisa. Acho que por influência do pessoal de exatas e biológicas, a gente também chama essa sala de “laboratório” mas, na realidade, trata-se apenas de uma mesa, uma cadeira e uma luminária...

Vamos as comparações entre Brasil e Japão. No Brasil, eu também tinha uma sala de estudos, que foi definida conforme a linha de pesquisa da minha orientadora... Lá, eu fazia parte do GEPAI (Grupo de Estudos e Pesquisas Agroindustriais), e dividia a sala com outros alunos orientados pelos professores dessa linha de pesquisa. Na realidade, tratava-se de uma sala de computadores compartilhada por esses alunos... além disso, tínhamos acesso ao telefone para efetuar os contatos necessários para a pesquisa. Na foto ao lado, estão dois chineses que compartilham a sala comigo... aquela cadeira que está no meio do corredor, é onde fica o meu cantinho!

Aqui no Japão, as salas de pesquisa são compartilhadas por alunos de todas as áreas e, conforme já disse, você tem direito a mesa, cadeira e luminária (ao lado, uma foto da minha bagunça). Para usar o computador, existem três salas de informática que também são compartilhadas por todos os pós-graduandos. Nem preciso falar que em termos de equipamentos, as coisas aqui são bem mais avançadas né... Caso você queira levar seu notebook, você pode usar os pontos de internet da sala de pesquisa... aqui vai um ponto negativo: não sei dizer o porquê, mas não existe rede wifi dentro do departamento, apenas internet com fio...

Aí vão mais pontos negativos desse sistema japonês: a minha sala de pesquisa, por exemplo, possui uns 35 alunos... Dentre esses alunos, existem pessoas de doutorado e mestrado... e cada um desenvolve linhas de pesquisas completamente diferentes (economia, finanças, teoria dos jogos, etc)... isso é péssimo, pq existem poucas trocas de experiências... No Brasil, por exemplo, eu fiz várias alianças entre o pessoal do Gepai e consegui escrever no mínimo 3 artigos fora da minha pesquisa do mestrado... isso é bom não só para enriquecer o currículo, mas para expandir suas áreas de conhecimento e ampliar suas redes de amizade....

Outro ponto negativo, é que nas salas de estudos, as pessoas fazem silêncio absoluto. Para se ter idéia, tem hora que eu tenho vergonha de abrir a gaveta da minha mesa por causa do barulho... por muitas vezes, só é possível ouvir o barulho do teclado do notebook e o abrir e fechar das portas... isso também não é nada bom, pois eu tive pouquíssimas oportunidades de conversar com as pessoas... e sequer sei o nome da grande maioria.... (a foto ao lado é a visão que tenho do meu lugar, a mesa da chinesa é cheio de coisas fofinhas, bem diferente da minha! hahaha)

O silêncio também é predominante na sala de computadores... outro dia, um grupo de três pessoas estavam discutindo um trabalho e um doutorando do meu laboratório foi pedir para que eles fizessem silêncio... mega bizarro!!!

Outra curiosidade: quem administra a nossa sala de estudos é um cara do terceiro ano do doutorado (D3). Ele quem nos recebeu no primeiro dia e passou todas as instruções para uma boa convivência... ah, esqueci de falar antes, mas na sala existem pias, geladeira, aquecedor de água, lousa e outras coisas para usar entre os integrantes....

Outra coisa que lembrei agora: como o silêncio predomina na sala de estudos, o meio de comunicação mais utilizado é a lousa. Logo ao entrar na sala, você se depara com uma lousa que está cheio de recados sobre tarefas, comemorações, reclamações, etc... vira e mexe eu pego o dicionário e fico na frente da lousa tentando decifrar o que está escrito! Hahaha....

Bom, só para matar a curiosidade, segue um recado sobre uma festa de final de semestre...

quinta-feira, 5 de maio de 2011

AULAS (part 3)

Aproveitando o momento de empolgação para escrever, vou falar da relação entre os alunos...

Nas duas disciplinas que assisti em japonês, tive que fazer trabalhos em grupo... no primeiro momento é assustador ter que trabalhar com pessoas de culturas tão diferentes... mas no final, é muito bom trocar experiências..

***a foto ao lado foi retirada da internet: trata-se da entrada da Universidade, local que passo diariamente!

Na aula de estratégia, a gente tinha que apresentar o conteúdo do livro-texto e um exemplo prático relacionado. O meu grupo era formado por um japonês (denominado como líder), um coreano e uma coreana. Na verdade, nem tivemos tanto trabalho em grupo, porque a gente só dividiu as páginas do livro e decidiu as partes que cada um apresentaria.

A nossa primeira apresentação iria ocorrer quatro semanas após o primeiro dia de aula mas, não sei porquê, o nosso líder instituiu que deveríamos preparar nosso power point duas semanas antes, para que ele tivesse o grande trabalho de copiar e colar tudo num único arquivo e fazer as fotocópias que seriam distribuídas para a classe.... (tipo, eu sei que japonês gosta de se planejar e fazer tudo com antecedência, mas pow, duas semanas antes??? Isso foi muito difícil pra mim que, como bom brasileiro, deixa para fazer tudo na véspera! Kkk)

Não contente com isso, o líder encucou que eu ia fazer a apresentação em inglês (mesmo com a autorização do professor) e sugeriu que eu fizesse pelo menos o power point em japonês, para facilitar o entendimento dos outros alunos... Lá vai eu ler o livro texto em inglês pra entender o conteúdo e depois consultar a versão traduzida em japonês para poder montar os slides... Mas enfim, apesar desses pesquenos contratempos, a apresentação foi de boa... a única coisa foi um kanji que eu escrevi errado e o sensei me corrigiu durante a apresentação... mas até aí, nenhum drama... o professor fez algumas perguntas e considerações e foi tudo tranquilo!

Na aula de método de amostragem foi mais engraçado... o professor fez a divisão do grupo e ficamos assim: eu, dois japoneses e uma chinesa... no dia em que soubemos da divisão, um dos japoneses já chegou falando que a gente conseguiria terminar o trabalho em apenas um dia e que ia ser fácil e bla, bla, bla...

Foi então que a chinesa sugeriu que fizéssemos uma auto-apresentação... nessa hora, além dos nomes, a gente disse em que ano estávamos estudando e eu descobri que o japonês mais folgado estava no segundo ano do mestrado (M2) e que os outros dois estavam ainda no primeiro ano (M1). Eu fui o último a me apresentar e quando disse que eu era aluno de doutorado (D1), o japonês arregalou os olhos, diminui o tom de voz e disse: “me desculpa, mas eu não estava usando uma linguagem formal com você”. Gente, como assim??? Quer dizer que ele estava folgando só porque achava que era nosso veterano? Pois é... hierarquia é algo dominante aqui... só o fato de você estar um ano adiantado nos estudos, te dá o direito de se impor mais nas idéias e até mudar o jeito de falar... absurdo, né???

Bom, eu disse ao japonês que eu não me importava com isso e que ele podia falar sem formalidades comigo.... e foi assim que ele continuou tomando as rédeas do trabalho... a única coisa ruim é que a gente realmente terminou tudo em apenas um dia de discussão, enquanto os outros grupos levaram cerca de 3 ou 4 dias... é claro que o nosso trabalho ficou uma merda droga, né? Mas o interessante é que o japa assumiu a responsabilidade, apresentou o trabalho e ainda nos pediu desculpas (meio com ironia, mas blz) pelo resultado...

Bom, acho que só essas experiências já valeram o meu semestre!