domingo, 29 de agosto de 2010

CHURRASCO DE GIFU (dia 9)

Bom, no segundo dia a gente foi ver uma explicação sobre a pesca de ukai, tivemos um tempo para compras, almoço e passamos ainda pelo castelo de Gifu.

Antes de voltarmos para Osaka, demos uma passada em Nagoya, para ver algumas apresentações do concurso de Yosakoi Soran. A volta dessa viagem foi muito especial para mim, pois depois de tantos dias de viagem com o pessoal do koshukai, eu pude passar algumas horas no trem com os amigos que fiz aqui em Osaka: Letícia, Lis, Marina e Carlos.

E nossa, esse dia vai ficar pra sempre na minha memória, pois foi uma viagem que o tempo passou muito rápido. Letícia, Lis e eu ficamos o tempo todo conversando sobre várias coisas, falando sobre experiências, expectativas, coisas do Japão e meu, demos muita risada dentro daquele trem! Daqui há alguns anos, quando pensar sobre minha vida do Japão, quero poder lembrar desse momento, da felicidade que senti naquele dia!

Bom, e foi assim que a aventura do meu mochilão se acabou. Foram nove dias muito intensos, com muitas emoções, muitos sentimentos misturados: alegria, sono, cansaço, superação... Enfim, quero pra sempre lembrar desses incríveis dias! Valeu Japão!


sábado, 28 de agosto de 2010

CHURRASCO DE GIFU (dia 8)

Para encerrar o nosso mochilão, participamos do tradicional Churrasco de Gifu – festa organizada pela Associação nipo-brasileira de Gifu. Como estávamos na cidade desde a noite anterior, resolvemos ir novamente ao karaokê, até dar o horário de encontro com os outros bolsistas! A gnt nem está viciado nisso, né? Hahaha..

Foi um final de semana bem divertido, pois foi uma oportunidade para rever a galera do koshukai do Brasil. Na tarde do primeiro dia teve apresentação de tambores feito por umas crianças, futebol entre um time de japoneses contra os bolsistas brasileiros (o detalhe é que nós perdemos!) e churrasco – nossa, que saudade de carne, pão e vinagrete!!! Nossa, tava muito, muito bom!!!

De noite, a gente foi ver a pesca de ukai – pesca artesanal tradicional da região em que se usam patos com uma corda amarrada ao pescoço. Essa prática consiste na retirada do peixe da garganta do pato, que tenta engoli-los enquanto está nadando, mas que não consegue devido à corda que prende a sua goela.

Em seguida, tive a minha primeira experiência em banhos públicos, pois fomos tomar banho em um 銭湯 (SENTO). Essa coisa de tomar banho coletivo parece assustador à primeira vista, mas com o tempo, você vai se acostumando e até tem vontade de ir sempre, pois o banho de água quente é muito bom! Te da uma sensação de relaxamente e de renovação de energia inexplicável!



sexta-feira, 27 de agosto de 2010

GIFU (dia 7)

Depois de toda canseira da escalada, o sétimo dia da nossa viagem ocorreu dentro do trem. De manhã logo cedo o Kawazoe-san nos levou até a estação e enfrentamos exatos 5 norikaes (baldeação) e mais de nove horas nos vagões.

Só pra vocês terem noção do que isso significa, vou descrever rapidamente o nome das estações e quanto tempo ficávamos em cada linha.

河口湖 Kawaguchiko => 大月 Ootsuki (9:28~10:24)

大月 Ootsuki => 甲府 Koufu (10:40~11:37)

甲府 Koufu => 塩尻 Shiojiri (12:00~13:30)

塩尻 Shiojiri => 中津川 Nakatsugawa (14:52~16:48)

中津川 Nakatsugawa => 名古屋Nagoya (17:01~18:18)

名古屋 Nagoya => 岐阜 Gifu (18:30~18:49)

Como se pode observar, o horário dos trens são todos quebrados em minutos, e acreditem: se está escrito 9:28h, ele vai sair às 9:28h. Por isso que tínhamos que ficar esperto na hora das baldeações, pq qualquer bobeira poderia significar a perda do trem e toda sua seqüência.

Bom, depois de chegar em Gifu, a gente deu entrada no hotel e foi procurar alguma coisa pra comer. Fomos em um 居酒屋(IZAKAYA – bar estilo japonês) e comemos uns aperitivos e uma pizza. Pra comemorar o finalzinho de nossa viagem, resolvemos ir pra um karaokê!

Foi muito bom estar num karaokê com esse pessoal... Me fez lembrar das saideiras do koshukai no Brasil! Bom, seguem algumas fotos de Gifu, do izakayá e do pessoal soltando a voz! Ah, nós cantamos ‘We are the champions’ pra celebrar nossa subida ao Fuji! Muito bom! =D


quinta-feira, 26 de agosto de 2010

FUJI-SAN – DESCIDA (dia 6)

Só depois que o sol nasceu que pudemos ter noção do lugar que estávamos... Nem tinha percebido da grandeza do lugar, que estávamos na boca do vulcão!!! Cara, foi uma pena eu estar morrendo de frio e estourando de dor de cabeça naquela hora, pois dava pra ter aproveitado muito mais e tirado algumas fotos, pelo menos... Mas no desespero do momento, a única coisa que eu conseguia pensar era voltar pra casa...

Vale lembrar que apenas a Kat e a Kaori conseguiram chegar no topo junto com a gente... mas na hora que elas chegaram, tava tudo tão cheio que não conseguimos nos encontrar pra ver o nascer do sol juntos.. Só fomos nos ver bem depois, quando estávamos nos preparando pra descer... Como estava explodindo de dor de cabeça, só lembrei de tomar uma neosaldina e tentar comer um pouco de chocolate pra recuperar a energia...

Ah, esqueci de falar dos banheiros, que são bem fedorentos e pagos... o que é justo, pois todo o esgoto é enviado por caminhão para a estação de tratamento... Eu tive o desprazer de usá-lo por três vezes... uma na subida, uma no topo e uma na descida... o banheiro do topo é o mais caro, paguei 300 ienes... os outros dois eu paguei 200 ienes...

Cara, preciso dizer que a descida é a pior parte de tudo.... São rampas em zigue-zague, que são bem íngremes e levanta um pó desgraçado.. Fora que, por causa das pedrinhas, é fácil de levar um tombo... Levei cerca de 4 horas pra fazer esse percurso e pensamentos do tipo ‘o que estou fazendo aqui?’, ‘não agüento mais’, ‘vou deitar e dormir nesse chão aqui’ passaram várias vezes pela minha cabeça.

Pra piorar a situação, acabei descendo sozinho, pois o Koji e o Carlos resolveram descer correndo e a Kat e a Kaori estavam indo a passos de tartaruga... mas beleza! Fui indo no meu ritmo, parando de vez em quando pra beber uma água, comer um chocolate e tal... por causa do sol, eu já tinha tirado todas as blusas e calças de baixo.. mas chegou uma hora que subiu uma neblina e deu uma esfriada.... tenso!

Bom, até juntar toda a galera lá embaixo, comprar os omiyagues, comer alguma coisa, pegar o ônibus e chegar em casa, já era umas 14 hs... O problema foi que, ao invés de tomar um banho e dormir o resto do dia, ainda inventamos de ir pro Festival do Fogo (火祭 - HIMATSURI) da cidade.

Apesar do cansaço, conseguimos nos divertir um pouco e encher a barriga com churrasco grego e kakigori (raspadinha). Bacana!


quarta-feira, 25 de agosto de 2010

FUJI-SAN – SUBIDA (dia 5)

O tão esperado dia do Fuji-san (富士山) finalmente chegou! Esse dia tinha um significado todo especial, pois se tratava do objetivo principal da viagem e tinha um quê de superação, pra ver se conseguíamos chegar ao topo... Só um parênteses, esse dia foi o aniversário da Letícia, minha irmãzinha aqui do alojamento. Uma pena não poder estar perto dela nessa data querida, mas fiz questão de ligar algumas vezes pra saber como estavam as comemorações e os preparativos pra festa surpresa. Vou ser dedo-duro e dizer que ela estava quase chorando, pois pensou que ninguém tinha se lembrado do aniversário e que ninguém iria comemorar! =D

Voltando ao Fuji, eu fiz uma preparação especial e acabei gastando mais de 10.000 ienes com as compras... Basicamente, comprei tênis pra escalada, conjunto de blusa e calça impermeáveis, lanterna de cabeça, meia especial pra escalada, luva, camiseta com tecnologia heat e anti-suor pra usar debaixo das roupas, manta térmica de alumínio pra se proteger do frio, garrafa térmica, bebidas em gel, barras de energia, barras de chocolate, vitaminas, etc, etc, etc....

Além disso, a host-mother da Letícia me emprestou umas balinhas de oxigênio (isso mesmo, bala tipo drops que liberam oxigênio) e dois cajados. Ah, a Meg me deu um tubo de oxigênio também... Vocês podem achar um exagero levar todos esses apetrechos, mas acho que foi muito bom esse preparo.

Como, eu tinha passado mal no dia anterior, todos estavam com medo de que eu não agüentasse o tranco. Eu mesmo estava meio receoso com essa subida... Mas no final deu tudo certo... Ah, pra demonstrar a minha preocupação / hipocondria, eu tomei vitamina C na noite anterior, omeprazol no dia, dramim antes de pegar o ônibus e neosaldina quando o sol estava nascendo...

Bom, vamos falar da experiência em si. Pra quem não sabe, são poucos os que começam a escalada do nível mais baixo – a grande maioria já começa do quinto ponto (五合目 - GOGOUME), que fica a 2300 metros de altitude (o monte Fuji possui 3776 metros). Pegamos um ônibus que nos levou até lá e assim que chegamos, fomos fazer as últimas compras e alongamento... não quisemos começar direto pra poder acostumar com o ar rarefeito...

A escalada em si começou por volta das 19 horas... Nessa hora, a temperatura ainda estava tranqüila... apesar de estar ‘friozinho’, o esforço da subida matinha nosso corpo aquecido, o que nos permitia subir só de camiseta mesmo... No começo, fomos todos juntos, conversando e ajudando uns aos outros. Demoramos cerca de uma hora e meia pra chegar até o sexto ponto. Nessa hora, como tínhamos sinal de celular, aproveitei pra ligar pra Letícia e desejar felicidades mais uma vez (cantamos parabéns) e liguei pro Brasil, pra avisar meus pais que estava subindo.



Pela foto, dá pra perceber quais equipamentos estávamos usando e como foi ficando cada vez mais frio. Só pra se ter idéia do tempo, chegamos às 21:45h no sétimo ponto e às 23:50h no oitavo. Cara, essa parte da subida é muito difícil, pois tem umas pedras gigantes que você precisa se esticar todo pra conseguir alcançar com o pé... Ah, foi nesse ponto também que eu vi uma velhinha rolando no chão, em frente à Cinthia. Tive um momento de desespero, pois achei que era a Meg quem tava caindo... *não que eu tenha ficado feliz de ver a velha caindo, mas antes ela do que um dos nossos! Hauahuahaua....

A partir do sétimo ponto, fomos nos distanciando das garotas, pois não era possível ficar esperando e andando em grupo - acho que chegamos no oitavo ponto meia hora antes delas. Foi então que decidimos, a partir dali, nos separar e subir cada um no seu ritmo. Basicamente, ficamos em três grupos: eu, Koji e Carlos na frente, Kaori e Kat no meio e Meg e Cinthia por último.

Foi nessa parte que o nosso grupo se empolgou demais e começou a subir quase sem descansar... Sempre fazíamos paradas curtas, de uns 5 minutos e já continuávamos com a escalada. Na verdade, estávamos preocupados com o possível trânsito de pessoas... mas essa foi a nossa grande besteira, pois nessa empolgação, acabamos chegando ao topo (décimo ponto) lá pelas 3:30hs... Se você é bom de cálculo, fizemos o percurso inteiro em 8 horas e meia.

Assim que chegamos, fomos procurar um bom lugar pra poder ver o nascer do sol e se proteger do frio... achamos uma ‘caverninha’ (que estava cheio de japas barulhentos) pra nos proteger do vento, mas mesmo assim, tava frio pra kralho.. e não foi nada legal ter que esperar por quase duas horas até que o bendito sol aparecesse... Cara, foram momentos tensos... pensei que fosse congelar de tanto frio....

Bom, o nascer do sol é muito, muito bonito.... as fotos e o video traduzem um pouco do sentimento e da beleza do momento... pena que eu não consegui curtir muito, porque estava com muito frio e só pensava em começar a descer.... (inocência minha, que não sabia que o pior ainda estava por vir...).



terça-feira, 24 de agosto de 2010

FUJIQ HIGHLAND e CHURRASCO (dia 4)

O quarto dia foi um dos mais emocionantes. Logo de manhã, o Kawazoe-san nos levou até o FujiQ Highland, parque de diversão que fica em Fujiyoshida e que se pode ver o monte Fuji de dentro das atrações.

Excesso de ansiedade, comecei o dia passando mal... chamei o Hugo assim que cheguei no parque e pensei que perderia o dia.... Porém, fui me acalmando aos poucos e consegui andar nas três montanhas russas do parque: Fujiyama, que já foi a mais alta do mundo; Dodonpa, que já foi a mais rápida do mundo; e Eejyanaika, que já possuiu o maior número de rotações do mundo – veja o videozinho em que estamos nesse brinquedo (todos os verbos estão conjugados no passado, pq os recordes já foram quebrados por parques mais recentes).

Como bons brasileiros, fizemos a festa enquanto esperávamos nas filas, que estavam demorando em torno de 2 horas cada: dançamos, cantamos, conversamos e rimos muito!





Lá pelas 17 horas, o Kawazoe-san foi nos buscar pra fazer um churrasco estilo japonês em sua casa. Eu nem sabia que aqui se colocava uma chapa em cima do fogo para fritar a carne e verduras com óleo. Além disso, nada é previamente temperado, sendo necessário colocar um molho pra churrasco na hora de comer... Adorei a experiência, mas sinceramente, ainda prefiro o nosso bom e velho churrasco brasileiro! =D

Pra finalizar o dia, brincamos com hanabi (fogos de artifício) e uma amiga do Kawazoe-san fez um ‘show’ de balões e nos ensinou a fazer um cachorrinho... A gente parecia criança com as bexigas! =D