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sexta-feira, 20 de maio de 2011

FAXINA DAS DEPENDÊNCIAS DA FACULDADE

Continuando com a série de diferença entre Brasil e Japão, aí vai uma característica bem curiosa: faxina.

No Brasil, especificamente na UFSCar, existia uma cooperativa de senhoras que eram responsáveis pela limpeza de toda a universidade. Assim, estas passavam quase que diariamente nas salas de estudos para retirar o lixo e passar um pano tanto nas mesas como no chão... Acho que isso é algo bem da cultura brasileira, de manter o ambiente limpo pagando alguém pra fazer esse trabalho...

Aqui, não existe essa `mordomia`... tanto a sala de estudos como a sala de computadores são limpos pelos próprios alunos, sendo possível encontrar vassouras e panos para que cada um faça a sua limpeza... Além disso, a retirada do lixo é feita por aquele que primeiro notar que a cesta está suficientemente cheia pra colocá-la para fora. Ainda no meu laboratório, haverá no final do semestre uma limpeza geral da sala (não me pergunte como será isso, pq eu não faço a mínima idéia...)

Ah, em relação à sala de xerox e a “refreshing room” (não sei qual a melhor forma de traduzir isso), há um rodízio entres os laboratórios para efetuar a limpeza. Entre as atribuições, estaria colocar o lixo para fora, limpar a mesa, cadeira e cozinha e verificar se o nível de papel da máquina copiadora está adequado... Outra curiosidade é que apenas os alunos do primeiro ano do mestrado (M1) fazem essa limpeza... tipo, o chefão colocou uma tabela na lousa para que os alunos colocassem um sinal quando a sala já tivesse sido checada... msm não sendo obrigado, eu me ofereci para ajudar nessa limpeza também...

Você deve estar se perguntando se esse sistema funciona.... bom, eu particularmente, acho que não!!! A sala de computadores, por exemplo, é bem sujinha, cheia de pó ao redor do monitor e com o teclado e mouse meio ‘grudentos’... a refreshing room é a pior de todas... a cesta de lixo sempre fica transbordada de lixo fedido orgânico e precisa de muita coragem para usar o microondas... dá a impressão de que tem comida da década passada lá....

Mas assim, acho que poderia ser muito pior! Não é algo insuportável, só precisa de um tempo para se acostumar.. hehehe... Mas eu fico pensando como seria se se esse mesmo sistema fosse adotado no Brasil... tenho a impressão de que seria muuuuuito pior...

Mas enfim, bora viver com as diferenças culturais e se adaptar, né?

sexta-feira, 4 de março de 2011

CASA NOVA – AS NOVIDADES

Nesse ultimo post sobre a casa nova, eu gostaria de falar sobre algumas diferenças e curiosidades...

A primeira coisa que você percebe, é que existe um espaço logo na entrada para tirar seu sapato. Esse hábito japonês me atrapalhou muito no começo, principalmente quando colocava o sapato na hora de sair e lembrava de pegar alguma coisa dentro da casa (lá vai você tirar o sapato que acabou de calçar pra depois calçá-lo de novo). Mas sabe que esse hábito é bom? Principalmente na hora da limpeza faz uma grande diferença! Nos dias de chuva então, nem se fala! Nada de casa toda encharcada por causa do tênis molhado!

A segunda coisa é o fogão... diferente do Brasil que possui quatro ou seis bocas, aqui só tem uma e funciona por energia elétrica... isso causa um transtorno, porque a panela demora pra esquentar e você não consegue cozinhar duas coisas ao mesmo tempo... deve ser por isso que ando comendo tanto fora de casa (ou seria isso uma desculpa? hahaha)

O terceiro ponto seria o banheiro... como toda casa no Japão, eu ganhei uma pequena banheira (ofurô), mas ela é tão pequena que eu mal consigo entrar e me mexer (e olha que eu não sou um exemplo de gente grande!). Além disso, a pia é extremamente baixa e o vaso fica tão grudadinho que parece que você está num avião ou coisa do tipo...

O quarto ponto seria o lixo... logo que fui transferir minha identidade para o novo endereço, recebi instruções da prefeitura sobre a separação do lixo... como se pode perceber na foto, o lixo inflamável deve ser jogado em sacolas específicas para esse fim, que são fornecidas pela prefeitura. Além disso, você deve separar garrafas pet (sem tampinha e rótulo), latas (bebida, atum, molho de tomate) e outras embalagens (marmita, ovo). Cada tipo de lixo possui um dia específico para ser descartado e até onde eu vi, as pessoas costumam seguir as regras....

Para dar um toque oriental, minha casa possui aquelas portas de correr que separa o quarto da cozinha e um armário tradicional (押入れ – OSHIIRE). Bom, acredito que existem muitas outras diferenças que passaram despercebidas ou que não lembro no momento, mas prometo postá-las assim que tiver oportunidade!

quarta-feira, 2 de março de 2011

CASA NOVA – A MUDANÇA

Bom, depois de algumas semanas visitando apartamentos e fazendo milhares de contas, finalmente resolvi me mudar. A curiosidade é que eu escolhi um apartamento que meu vizinho russo do alojamento me indicou, o que quer dizer que eu vim morar no mesmo prédio que ele.

Como meu vizinho russo alugou um carro para fazer a mudança, eu aproveitei e também trouxe minha bagagem pra cá junto com a dele... Apesar de ter ficado só 11 meses no alojamento, é impressionante a quantidade de tranqueira que você consegue juntar em tão pouco tempo... mas apesar do grande volume, consegui trazer tudo em apenas uma viagem de carro.

O detalhe é que o russo deu entrada no apartamento três dias antes de mim... por isso, eu só larguei as malas aqui e tive que morar por mais alguns dias no quarto do alojamento praticamente vazio (que na verdade nem tinha ficado tão vazio assim). O tonto aqui achou que iria usar várias coisas nesses poucos dias e resolveu trazer tudo de trem (idiota!). Na hora de fechar a mala foi um sacrifício enorme e tive que deixar algumas coisas com a Letícia e jogar muitas coisas no lixo...

O maior problema foi levar aquela mala enorme e pesada no trem... achei que fosse ter um treco no caminho, sério mesmo...

Ah, informação importante: ao dar entrada no apartamento, você deve ligar para as empresas fornecedoras de água, energia e gás para iniciar o abastecimento. Água e energia são ligadas automaticamente pelo telefone... mas para o gás é preciso agendar um horário para que o funcionário venha verificar as instalações e liberar o fornecimento. Fiquei orgulhoso por conseguir ligar para as empresas e me comunicar com os funcionários...

Bom, apesar dos perrengues, é muito bom se mudar para uma casa nova, comprar utensílios domésticos e arrumar as coisas do jeito que gosta... Acredito que uma nova fase esteja começando a partir de agora!

segunda-feira, 28 de fevereiro de 2011

CASA NOVA – A PROCURA

Não sei se deveria tornar público esse tipo de informação, mas o lance é que eu deixei de morar no confortável alojamento de Minamisenri e me mudei para um apartamento próximo ao campus da universidade.

Se me perguntarem quais foram os motivos para tal mudança, eu diria que eu estava querendo um pouco mais de privacidade (não ter ninguém controlando minha vida, ter meu próprio banheiro, minha própria cozinha), ficar mais próximo da universidade (agora eu consigo chegar até a universidade em apenas 10 minutos), poder receber meus pais em casa (se é que algum dia eles virão me visitar) e claro, me livrar do maldito do meu vizinho, que passava o dia cantando Shakira e ficava gargalhando toda madrugada com as séries americanas que assistia.

Enfim, pensando nos prós e contras, acabei me decidindo pela mudança. Nesse primeiro post eu queria falar um pouco sobre a procura por uma nova casa. A primeira visita a uma imobiliária (不動産 - FUDOUSAN) foi no começo de fevereiro e, como todo serviço no Japão, fui muito bem atendido. Os caras te oferecem chá, explicam vinte mil vezes as partes que você não entende e demonstram ter todo o tempo do mundo para te atender... Sério, todas as vezes que eu fui pra imobiliária, eu não via a hora de terminar logo e ir embora pra casa...

Mas enfim, eu fui a duas imobiliárias diferentes e reparei que o esquema é bem parecido. Você diz o tipo de apartamento que procura, quanto está disposto a pagar, qual localização, etc... Aí ele vai te mostrando algumas opções e você escolhe aquelas que você gostaria de visitar... feito isso, ele te leva de carro até cada local e vai tirando mais informações sobre suas preferências pessoais... o cara me perguntava se eu achava que o tamanho estava bom, se eu me incomodava com o barulho do trem, proximidade da estação, etc.... o interessante é que eles são muito observadores nesse sentido, pois no final, eles usam essas informações pra te ajudar na decisão...

Por exemplo, ele chegou a me dizer: o apartamento x é bom porque é grande, mas tem problemas com a iluminação, o apartamento y é ruim porque fica próximo da linha do trem, mas é mais próximo da universidade... e assim por diante...

Como eu já tive um pouco de experiência com imobiliárias no Brasil, eu posso listar algumas diferenças entre os dois países:

1) Aqui no Japão existe uma taxa de gratidão/recompensa (礼金 – REIKIN). Trata-se de uma quantia definida pelo proprietário do imóvel, como forma de “gratidão” por te deixar morar em sua casa... Nos imóveis que vi, essa quantia varia de zero até uns 200.000 ienes (cerca de R$ 4mil)...

2) Existe uma outra taxa de depósito (敷金 – SHIKIKIN) – quantia também estipulada pelo proprietário que fica como garantia, caso haja algum dano no imóvel. Você pode ou não ter esse dinheiro de volta, dependendo da condição do imóvel no ato da devolução. A maioria dos imóveis que vi não cobravam essa taxa...

3) O ponto positivo do Japão é que você pode reservar o imóvel sem pagar nenhuma taxa por isso. Por exemplo, você pode dizer que entrará no imóvel somente no próximo mês e começar a pagar aluguel a partir do dia que fizer a mudança.. No caso do Brasil, você começa a pagar o aluguel a partir do dia que fecha o contrato, independente do dia que entrar no apartamento.

Bom, abaixo segue algumas fotos dos diferentes imóveis que visitei...



quinta-feira, 3 de fevereiro de 2011

ENTREVISTA DOUTORADO

Dia 03 de fevereiro eu fiz a entrevista do processo seletivo para o doutorado.

Apesar de estar extremamente nervoso ANTES da entrevista, agora que tudo já passou, tenho a impressão de que isso é apenas uma formalidade: alunos que possuem bolsa do governo japonês dificilmente não passam nessas provas de admissão. Atenção: que fique bem claro que isso é apenas uma opinião particular. Não estou afirmando, em hipótese alguma, que a aprovação seja automática! Mas que parece, parece... hehehe...

Vou explicar o por quê dessa impressão descrevendo como foi o processo. Como eu já tinha a certificação do TOEFL e do TOEIC, fui dispensado da prova de inglês do departamento. Por isso, só tive que comparecer pra fazer a entrevista.

O processo foi o seguinte: primeiro, todos os candidatos ao curso de doutorado se reuniram numa grande sala (se não me engano, eram cerca de 30 pessoas). Ao entrar, você verificava onde seria a sua entrevista e qual era a sua ordem (no meu caso, eu era o segundo da minha sala). Existiam quatro salas e as entrevistas ocorriam concomitantemente, com diferentes professores que formavam uma banca. O primeiro fato estranho é que todos os alunos estrangeiros com bolsa do governo foram entrevistados na mesma sala...

Mas bem, vamos à descrição da entrevista: havia cerca de 6 professores sentados de um lado da sala e o aluno deveria sentar numa cadeira que ficava em frente. Ao entrar na sala, eu tive de dizer o meu número e nome. Nessa hora, eu me atrapalhei um pouco, pois não sabia se deveria me apresentar antes ou depois de sentar... mas tudo bem....

Em seguida, o professor disse em japonês para que eu explicasse resumidamente a minha pesquisa de mestrado e fizesse o link com meu projeto do doutorado. Logo nessa pergunta, eu pedi permissão para que eu respondesse em inglês, porque me sentia mais confortável. A partir daí até o final, eu só falei em inglês!

Conforme orientação do meu orientador, eu fiz a explicação de forma rápida e resumida, pois a previsão era que a entrevista durasse apenas 15 minutos. Assim, eu devo ter explicado tudo em pouco mais de 5 minutos, pensando em deixar tempo para outras perguntas. Depois que terminei a explicação, SILÊNCIO... nenhum professor disse nada... e eu pensei: FUDEU!

Então, um dos professores da banca disse: ‘agora você pode falar sobre a pesquisa de doutorado’... eu fiquei muito desesperado nessa hora e respondi: ‘na realidade, eu já falei sobre a proposta do doutorado, mas como estou um pouco nervoso, a minha explicação não deve ter sido muito clara’ e expliquei novamente a minha proposta de pesquisa...

Depois disso, SILÊNCIO novamente... Foi então que meu próprio orientador pediu que eu falasse um pouco mais sobre os resultados do meu mestrado... e lá fui eu falar mais detalhadamente sobre o mestrado... adivinha o que aconteceu depois disso? Exato: SILÊNCIO...

Foi aí que o professor da pergunta anterior virou para os outros professores e disse: ‘alguém tem alguma pergunta?’ E a resposta foi mais uma vez, SILÊNCIO.... Depois disso, rolou um ‘obrigado, você pode ir’

Sem brincadeira, esse processo durou no máximo 10 minutos.... e eu saí da sala muito frustrado, pois eu tava preparado pra falar bem mais coisas.... fiquei dias e dias me questionando o por quê do silêncio, o por quê de não fazerem mais perguntas, o por quê de não questionarem meus planos pro futuro, etc, etc, etc.....

Bom, levantei várias hipóteses como: 1) meu inglês é tão ruim que não consegui me expressar em momento nenhum; 2) o inglês deles é tão ruim que eles não entenderam nada e não conseguiram sequer elaborar alguma pergunta; 3) trata-se apenas de uma formalidade, sem necessidade de grandes provações ou testes de conhecimento....

Bom, independente de qual hipótese esteja correta, eu passei! Fiquei sabendo do resultado poucos dias depois... Para o bem estar da minha consciência, prefiro pensar que a hipótese 3 seja a mais correta... não quero pensar que meu inglês seja tão terrível e muito menos que os professores do meu departamento não sabem se expressar em inglês...


A foto acima foi tirada após a entrevista. Observem que eu segui todos os padrões japoneses de bons modos: usei terno preto, camisa branca, gravata neutra (nada de cores vivas e chamativas como vermelho ou rosa), fiz a barba, não usei gel no cabelo e não usei qualquer tipo de acessório como corrente, brinco, pulseira, etc.... Todas essas dicas foram dadas pela professora de japonês da Letícia e foram rigorosamente seguidas! Hehehe...

quinta-feira, 23 de dezembro de 2010

A PARTIDA (dia 1)

Essa viagem começou no dia 23 de dezembro, dia em que peguei um ônibus noturno da JR saindo de Osaka com destino a Tokyo. Foram junto comigo os novos bolsistas brasileiros (後輩 - KOUHAI) que chegaram em outubro para estudar japonês na Universidade de Osaka (Caio, João, Luzia e Lidia) e a bolsista de pós-graduação em biologia que também chegou em outubro (Caroline).

Foram oitos horas dentro de um ônibus minúsculo, em que a poltrona era tão pequena que mal se conseguia mexer os braços – um horror! Nessa hora, eu pensei muito nos ônibus da Empresa Cruz, que usei durante sete anos em minhas viagens entre São Paulo e São Carlos – aquilo sim era ônibus!

Bom, reclamações à parte, chegamos vivos e seguros na estação de Tokyo na manhãzinha do dia seguinte, antes do sol nascer. Vale lembrar que pagamos muito barato por essa passagem (exatos 4000 ienes – cerca de R$80) para um percurso de mais de 500 km. Se fossemos de trem bala, pagaríamos quase três vezes mais.

Ao chegar em Tokyo, tomamos café da manhã e ficamos na estação de Ikebukuro esperando os bolsistas se reunirem para irmos rumo à cidade de Nikko. Pra quem não sabe, os bolsistas brasileiros fazem anualmente uma festa de natal em Nikko, como forma de celebrar essa importante data entre amigos e sentir um pouco menos de saudade dos familiares que estão no Brasil.

Abaixo, segue fotos da gente no ônibus e o povo se divertindo no ponto de encontro em Ikebukuro.