domingo, 26 de junho de 2011

O LADO B DO JAPÃO (part 2)

A segunda diferença que percebi foram as longas horas que os alunos permanecem nas dependências da faculdade.... Tá certo que eu não sou nenhum modelo de dedicação ao horário de trabalho... mas muitas pessoas são presença constante no laboratório: chegam sempre antes de mim e vão embora depois...

Fico me perguntando sobre o grau de rendimento dessas pessoas... quando se trabalha num ambiente de humanas, em que o cérebro é o único e exclusivo meio de trabalho, não há santo que faça funcioná-lo por tantas horas seguidas... aí que eu percebo que muitas pessoas ficam na faculdade simplesmente matando tempo, acessando websites, serviços de redes socias, videos no youtube, etc... Aí eu te pergunto: pra quê fazer isso?

Isso pode ser explicado pelo modelo de gestão japonês, marcado pelo sistema de hierarquia (seniority), em que a recompensa é medida pelo tempo de trabalho na casa e pelo seu esforço, bem diferente do modelo americano de recompensa por resultado obtido. Eu não sofro muito com isso, porque meu orientador não controla meus horarios, mas tenho certeza que meus companheiros de laboratório devem me achar um `vagabundinho`, que quase nunca está no laboratório! hehehe...

Foi nesse ponto que mais uma máscara caiu pra mim... aquela imagem de japoneses trabalhadores e dedicados foi por água a baixo! Gente, eu não estou dizendo que eles não alcancem ótimos resultados em suas pesquisas (basta observar os avanços científicos alcançados por eles)... mas que uma parte do tempo eles estão apenas enrolando e matando tempo, isso eles estão! Às vezes me pergunto se eles não poderiam gastar esse tempo com sua família, ou bebendo uma cervejinha com os amigos, como costumamos fazer no Brasil... enfim, só estou divagando mais um pouco...

Bom, essas são as duas diferenças que mais me incomodam no momento... vou tentar postar mais coisas conforme for vivenciando.... Antes de finalizar, preciso dizer que apesar de tudo, eu respeito muito a cultura e os costumes desse país. O que eu penso sobre tudo isso é: se o governo japonês se dispôs a financiar meus estudos durante 4 anos, cabe a mim reconhecer, me adaptar, conviver e aprender com as diferenças.

Mas é claro que viver essa realidade é muito mais complicado do que simples palavras. Só vivendo aqui para entender o que estamos realmente passando... não são raros os momentos que eu me desanimo, falo mal de tudo e de todos e tenho vontade de jogar tudo pro alto... mas o que tento fazer é ter calma e encarar as coisas de uma forma mais positiva.

Acho que seria muito ingrato da minha parte ficar apenas criticando e salientando o quanto o meu país é melhor em determinados pontos. Se o Japão é tão ruim ou se o Brasil é tão melhor, acho que seria mais sensato desistir de tudo e viver aquilo que me faz bem (já dizia o sábio professor Caju que “a vida é feita de escolhas”). Mas calma, esse ainda não é o meu caso, gosto de viver aqui e não trocaria isso por nada (pelo menos por enquanto!).

Torçam para que eu consiga visualizar muito mais coisas positivas daqui em diante! Até a próxima!

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