quinta-feira, 17 de fevereiro de 2011

SEKIGUCHI LAB - FINAL SEMESTRE

No dia do meu aniversário rolou a última reunião do semestre dos orientados do professor Sekiguchi. Por ser a última reunião, os alunos do segundo ano do mestrado apresentaram seu trabalho final e tivemos que definir quem ficaria com as funções deixadas pelos formandos.

Uma curiosidade é que no Departamento de Economia da Universidade de Osaka existem duas modalidades de mestrado: 課題研究 (KADAI KENKYUU) e 論文研究 (RONBUN KENKYU). A primeira opção seria uma pesquisa mais prática, apenas com descrição de alguns casos e aplicação mais imediata. A segunda opção seria o que a gente conhece como ‘dissertação’ no Brasil, sendo necessário apresentá-lo para uma banca. Na minha percepção, a primeira opção seria mais como um MBA (lato senso), enquanto a outra seria o mestrado acadêmico (stricto senso). Porém, independentemente do tipo de pesquisa que você escolhe, o diploma é o mesmo para ambos os casos!

Bom, do pouco que entendi das apresentações feitas em japonês é que as pesquisas são feitas de forma bem prática mesmo, com atenção voltada totalmente aos resultados e sua aplicabilidade... Tenho curiosidade para ver como seria uma pesquisa mais acadêmica, só para compará-lo às defesas que assisti pelo Brasil...

No final da reunião tiramos uma foto lembrança dos orientados, que apresento aqui da esquerda para direita: Tian da China (D1), Sawada (M2), Maki (M1), Emily da Hungria (M1), Professor Sekiguchi, Bai da China (M1), Mohan do Nepal (aluna pesquisadora), eu, Li da China (aluno pesquisador) e Akiyama (M2). Ficou faltando a Adriana, brasileira que também terminou o mestrado nesse ano. Valeu a todos pelo ótimo ano! お疲れ様でした!

segunda-feira, 14 de fevereiro de 2011

VALENTINE’S DAY

14 de fevereiro é dia dos namorados, ou dia do São Valentim.

Aqui no Japão é comum que os rapazes recebam chocolates das moças, como forma de representação de carinho, amor, afeto, amizade...

O mais comum mesmo é que apenas os casais troquem chocolates, mas aqui existe o tal do 友チョコ(TOMOTYOKO – chocolate para amigos) e 義理チョコ(GIRITYOKO – chocolate por consideração). O primeiro é dado para os amigos e o segundo são para chefes, colegas de classe, pessoas que há maior convivência... Ah, e claro, também rola de entregar para aquele garoto que se tem algum interesse como forma de declarar seu amor, o tal do 愛情表現 (AIJYOUHYOUGEN)...

Detalhe: os chocolates feitos em casa são mais valorizados, pois o fato da garota ter se esforçado para preparar o presente do seu amado faz toda a diferença na hora de expressar o sentimento...

Mas você deve estar se perguntando: “e os garotos? não dão nenhum presente?” Pois bem, exatamente um mês após, no dia 14 de março, os garotos costumam retribuir os presentes recebidos e também dão chocolates como forma de gratidão ou para confirmar o interesse mútuo.

Bom, conforme se vê na foto abaixo, eu tenho amigas muito queridas que não deixaram a data passar em branco.... Mas eu adianto desde já que eu não retribuí nenhum chocolate no White Day: ‘SHAME ON YOU...’

sábado, 12 de fevereiro de 2011

TOEI STUDIO PARK

O Koji Nishisaka estava na região de Kansai no final de semana do dia 12 de fevereiro. Por isso, na sexta a gente deu uma passada num evento em Nara que até hoje não sei do que se tratava... só sei que estava muuuuito frio e as pessoas andavam em grupos em direção ao templo e faziam saudações... Enfim, evento xis por motivo zê... totalmente boring... hahaha.. Na parte da tarde, a gente foi passear um pouco na região de Kyoto.

No sábado, a gente foi para um parque temático, o Toei Kyoto Studio Park (東映太奏映画村). Trata-se de um parque que é utilizado para gravação de filmes de época, como se fosse uma cidade cenográfica...

O bacana é que eles possuem um museu com aqueles heróis dos TOKUSATSUS de nossa infância! Isso mesmo, a gente conseguiu ver o Jaspion, Changeman, Flashman e outros... nossa, o Koji e o Maurício piraram muito nessa parte!!!

Bom, no resto do parque você poderia tirar foto com pessoas usando roupas de época, entrar nas casas cenográficas, etc... Destaque para os shows de ninjas e apresentação especial do Kamen Rider.... Enfim, um mundo fantástico ao nosso alcance! Hehehe..

Ah, vale lembrar que eu, Luzia e João nos aventuramos na casa de fantasmas... Foi muito divertido ser empurrado por ambos e gritar durante o percurso inteirinho! Quero ir de novo!!! Na hora de sair do parque, um dos personagens resolveu travar uma pequena luta com o Maurício – um show à parte!!!

Bom, no final do dia, a gente passou num karaokê... Essa foi a última vez que encontrei o Koji e a Helena aqui no Japão... aquele sentimento de despedida predominou nos últimos minutos e confesso que foi um pouco triste... mas tudo bem, faz parte, né??? Bola pra frente na nossa jornada!

quinta-feira, 3 de fevereiro de 2011

SETSUBUN NO HI

3 de fevereiro é considerado como 節分の日(SETSUBUN NO HI), dia anterior ao início da primavera. Existe uma tradição no Japão de se jogar grãos de soja do lado de fora da casa, em direção a uma pessoa vestida de diabo, dizendo 鬼は外! 福は内! (ONIWA SOTO! FUKUWA UTI!), que significa diabo para fora e sorte para dentro.

Particularmente, acho que esse costume é mais para crianças e, como um cara crescido e maduro, segui outra tradição do dia. Comi um makizuchi sem ser cortado, que eles chamam de EHOUMAKI (恵方). Os kanjis dessa palavra significam direção da sorte e, por isso, você deve comer esse sushi numa determinada direção, que muda anualmente conforme os signos do zodíaco. Detalhe: diz a lenda que você tem que comer o sushi inteiro sem falar nada, completamente em silêncio.

Verdade ou não, eu comi um suhi inteirinho, em silêncio e virado para a parede do lado da minha cama. Tradições bizarras, né? Hehehe... enfim, espero que esse mico me traga muita sorte para esse ano! =)

ENTREVISTA DOUTORADO

Dia 03 de fevereiro eu fiz a entrevista do processo seletivo para o doutorado.

Apesar de estar extremamente nervoso ANTES da entrevista, agora que tudo já passou, tenho a impressão de que isso é apenas uma formalidade: alunos que possuem bolsa do governo japonês dificilmente não passam nessas provas de admissão. Atenção: que fique bem claro que isso é apenas uma opinião particular. Não estou afirmando, em hipótese alguma, que a aprovação seja automática! Mas que parece, parece... hehehe...

Vou explicar o por quê dessa impressão descrevendo como foi o processo. Como eu já tinha a certificação do TOEFL e do TOEIC, fui dispensado da prova de inglês do departamento. Por isso, só tive que comparecer pra fazer a entrevista.

O processo foi o seguinte: primeiro, todos os candidatos ao curso de doutorado se reuniram numa grande sala (se não me engano, eram cerca de 30 pessoas). Ao entrar, você verificava onde seria a sua entrevista e qual era a sua ordem (no meu caso, eu era o segundo da minha sala). Existiam quatro salas e as entrevistas ocorriam concomitantemente, com diferentes professores que formavam uma banca. O primeiro fato estranho é que todos os alunos estrangeiros com bolsa do governo foram entrevistados na mesma sala...

Mas bem, vamos à descrição da entrevista: havia cerca de 6 professores sentados de um lado da sala e o aluno deveria sentar numa cadeira que ficava em frente. Ao entrar na sala, eu tive de dizer o meu número e nome. Nessa hora, eu me atrapalhei um pouco, pois não sabia se deveria me apresentar antes ou depois de sentar... mas tudo bem....

Em seguida, o professor disse em japonês para que eu explicasse resumidamente a minha pesquisa de mestrado e fizesse o link com meu projeto do doutorado. Logo nessa pergunta, eu pedi permissão para que eu respondesse em inglês, porque me sentia mais confortável. A partir daí até o final, eu só falei em inglês!

Conforme orientação do meu orientador, eu fiz a explicação de forma rápida e resumida, pois a previsão era que a entrevista durasse apenas 15 minutos. Assim, eu devo ter explicado tudo em pouco mais de 5 minutos, pensando em deixar tempo para outras perguntas. Depois que terminei a explicação, SILÊNCIO... nenhum professor disse nada... e eu pensei: FUDEU!

Então, um dos professores da banca disse: ‘agora você pode falar sobre a pesquisa de doutorado’... eu fiquei muito desesperado nessa hora e respondi: ‘na realidade, eu já falei sobre a proposta do doutorado, mas como estou um pouco nervoso, a minha explicação não deve ter sido muito clara’ e expliquei novamente a minha proposta de pesquisa...

Depois disso, SILÊNCIO novamente... Foi então que meu próprio orientador pediu que eu falasse um pouco mais sobre os resultados do meu mestrado... e lá fui eu falar mais detalhadamente sobre o mestrado... adivinha o que aconteceu depois disso? Exato: SILÊNCIO...

Foi aí que o professor da pergunta anterior virou para os outros professores e disse: ‘alguém tem alguma pergunta?’ E a resposta foi mais uma vez, SILÊNCIO.... Depois disso, rolou um ‘obrigado, você pode ir’

Sem brincadeira, esse processo durou no máximo 10 minutos.... e eu saí da sala muito frustrado, pois eu tava preparado pra falar bem mais coisas.... fiquei dias e dias me questionando o por quê do silêncio, o por quê de não fazerem mais perguntas, o por quê de não questionarem meus planos pro futuro, etc, etc, etc.....

Bom, levantei várias hipóteses como: 1) meu inglês é tão ruim que não consegui me expressar em momento nenhum; 2) o inglês deles é tão ruim que eles não entenderam nada e não conseguiram sequer elaborar alguma pergunta; 3) trata-se apenas de uma formalidade, sem necessidade de grandes provações ou testes de conhecimento....

Bom, independente de qual hipótese esteja correta, eu passei! Fiquei sabendo do resultado poucos dias depois... Para o bem estar da minha consciência, prefiro pensar que a hipótese 3 seja a mais correta... não quero pensar que meu inglês seja tão terrível e muito menos que os professores do meu departamento não sabem se expressar em inglês...


A foto acima foi tirada após a entrevista. Observem que eu segui todos os padrões japoneses de bons modos: usei terno preto, camisa branca, gravata neutra (nada de cores vivas e chamativas como vermelho ou rosa), fiz a barba, não usei gel no cabelo e não usei qualquer tipo de acessório como corrente, brinco, pulseira, etc.... Todas essas dicas foram dadas pela professora de japonês da Letícia e foram rigorosamente seguidas! Hehehe...