quarta-feira, 25 de maio de 2011

GESTÃO DE MARCAS PRÓPRIAS

Já vou avisando que vou me achar um pouco nesse post...

Desde que eu entrei no mestrado em 2008, a minha orientadora comentava sobre um projeto de transformar suas orientações num livro sobre marcas próprias.

As pessoas que convivem comigo geralmente sabem o que é uma marca própria... Isso porque eu vivo falando sobre sua evolução, vantagens de preço, etc.. Pra quem não sabe, produtos de marcas próprias são aqueles que são vendidos exclusivamente no varejista (ou atacadista), podendo receber a nome da loja ou não.

Como exemplos dos supermercados no Brasil, podemos citar o Carrefour que vende produtos com o seu próprio nome, o Wal-Mart que vende principalmente com a marca “Great Value” e a Companhia Brasileira de Distribuição (Extra, Compre Bem e Pão de Açúcar) que vende principalmente com as marcas “Taeq” e “Qualitá”. ***A foto abaixo foi retirada dos slides da minha defesa de mestrado.

Pois bem, como se pode perceber, a minha pesquisa de mestrado foi sobre esse mercado de Marcas Próprias. Não vou me estender explicando minha pesquisa, mas eu basicamente dei continuidade aos trabalhos anteriores (uma dissertação de mestrado e duas teses de doutorado), dando foco na indústria fornecedora de produtos de marcas próprias.

Enfim, depois dessa breve explicação, anuncio com orgulho que o tal projeto se concretizou em 2011. Eu fiz uma pequena participação em dois capítulos do livro, organizando os trabalhos feitos anteriormente e contribuindo com partes de minha dissertação. Segue abaixo uma foto do lançamento, com minha orientadora Andrea Lago da Silva autografando o livro.

Bom, mais do que me achar, eu gostaria mesmo é de agradecer a todas as pessoas envolvidas: minha orientadora Andrea e os doutores Éderson e Verônica, que me deram a oportunidade de participar de tal projeto. Eu nunca iria imaginar que chegaria tão longe estando apenas no mestrado, mas a ajuda e apoio deles me permitiram mais essa conquista! Brigadão, gente!

Caso alguém se interesse mais pelo livro, segue o link da editora Atlas. Valeu gente!

sexta-feira, 20 de maio de 2011

FAXINA DAS DEPENDÊNCIAS DA FACULDADE

Continuando com a série de diferença entre Brasil e Japão, aí vai uma característica bem curiosa: faxina.

No Brasil, especificamente na UFSCar, existia uma cooperativa de senhoras que eram responsáveis pela limpeza de toda a universidade. Assim, estas passavam quase que diariamente nas salas de estudos para retirar o lixo e passar um pano tanto nas mesas como no chão... Acho que isso é algo bem da cultura brasileira, de manter o ambiente limpo pagando alguém pra fazer esse trabalho...

Aqui, não existe essa `mordomia`... tanto a sala de estudos como a sala de computadores são limpos pelos próprios alunos, sendo possível encontrar vassouras e panos para que cada um faça a sua limpeza... Além disso, a retirada do lixo é feita por aquele que primeiro notar que a cesta está suficientemente cheia pra colocá-la para fora. Ainda no meu laboratório, haverá no final do semestre uma limpeza geral da sala (não me pergunte como será isso, pq eu não faço a mínima idéia...)

Ah, em relação à sala de xerox e a “refreshing room” (não sei qual a melhor forma de traduzir isso), há um rodízio entres os laboratórios para efetuar a limpeza. Entre as atribuições, estaria colocar o lixo para fora, limpar a mesa, cadeira e cozinha e verificar se o nível de papel da máquina copiadora está adequado... Outra curiosidade é que apenas os alunos do primeiro ano do mestrado (M1) fazem essa limpeza... tipo, o chefão colocou uma tabela na lousa para que os alunos colocassem um sinal quando a sala já tivesse sido checada... msm não sendo obrigado, eu me ofereci para ajudar nessa limpeza também...

Você deve estar se perguntando se esse sistema funciona.... bom, eu particularmente, acho que não!!! A sala de computadores, por exemplo, é bem sujinha, cheia de pó ao redor do monitor e com o teclado e mouse meio ‘grudentos’... a refreshing room é a pior de todas... a cesta de lixo sempre fica transbordada de lixo fedido orgânico e precisa de muita coragem para usar o microondas... dá a impressão de que tem comida da década passada lá....

Mas assim, acho que poderia ser muito pior! Não é algo insuportável, só precisa de um tempo para se acostumar.. hehehe... Mas eu fico pensando como seria se se esse mesmo sistema fosse adotado no Brasil... tenho a impressão de que seria muuuuuito pior...

Mas enfim, bora viver com as diferenças culturais e se adaptar, né?

domingo, 15 de maio de 2011

SALA DE PESQUISA (研究室)

Todos os alunos regulares de pós-graduação têm direito a uma sala de estudos dentro do departamento. Em japonês, eles chamam de KENKYUUSHITSU (研究室) que, traduzindo, fica sala de pesquisa. Acho que por influência do pessoal de exatas e biológicas, a gente também chama essa sala de “laboratório” mas, na realidade, trata-se apenas de uma mesa, uma cadeira e uma luminária...

Vamos as comparações entre Brasil e Japão. No Brasil, eu também tinha uma sala de estudos, que foi definida conforme a linha de pesquisa da minha orientadora... Lá, eu fazia parte do GEPAI (Grupo de Estudos e Pesquisas Agroindustriais), e dividia a sala com outros alunos orientados pelos professores dessa linha de pesquisa. Na realidade, tratava-se de uma sala de computadores compartilhada por esses alunos... além disso, tínhamos acesso ao telefone para efetuar os contatos necessários para a pesquisa. Na foto ao lado, estão dois chineses que compartilham a sala comigo... aquela cadeira que está no meio do corredor, é onde fica o meu cantinho!

Aqui no Japão, as salas de pesquisa são compartilhadas por alunos de todas as áreas e, conforme já disse, você tem direito a mesa, cadeira e luminária (ao lado, uma foto da minha bagunça). Para usar o computador, existem três salas de informática que também são compartilhadas por todos os pós-graduandos. Nem preciso falar que em termos de equipamentos, as coisas aqui são bem mais avançadas né... Caso você queira levar seu notebook, você pode usar os pontos de internet da sala de pesquisa... aqui vai um ponto negativo: não sei dizer o porquê, mas não existe rede wifi dentro do departamento, apenas internet com fio...

Aí vão mais pontos negativos desse sistema japonês: a minha sala de pesquisa, por exemplo, possui uns 35 alunos... Dentre esses alunos, existem pessoas de doutorado e mestrado... e cada um desenvolve linhas de pesquisas completamente diferentes (economia, finanças, teoria dos jogos, etc)... isso é péssimo, pq existem poucas trocas de experiências... No Brasil, por exemplo, eu fiz várias alianças entre o pessoal do Gepai e consegui escrever no mínimo 3 artigos fora da minha pesquisa do mestrado... isso é bom não só para enriquecer o currículo, mas para expandir suas áreas de conhecimento e ampliar suas redes de amizade....

Outro ponto negativo, é que nas salas de estudos, as pessoas fazem silêncio absoluto. Para se ter idéia, tem hora que eu tenho vergonha de abrir a gaveta da minha mesa por causa do barulho... por muitas vezes, só é possível ouvir o barulho do teclado do notebook e o abrir e fechar das portas... isso também não é nada bom, pois eu tive pouquíssimas oportunidades de conversar com as pessoas... e sequer sei o nome da grande maioria.... (a foto ao lado é a visão que tenho do meu lugar, a mesa da chinesa é cheio de coisas fofinhas, bem diferente da minha! hahaha)

O silêncio também é predominante na sala de computadores... outro dia, um grupo de três pessoas estavam discutindo um trabalho e um doutorando do meu laboratório foi pedir para que eles fizessem silêncio... mega bizarro!!!

Outra curiosidade: quem administra a nossa sala de estudos é um cara do terceiro ano do doutorado (D3). Ele quem nos recebeu no primeiro dia e passou todas as instruções para uma boa convivência... ah, esqueci de falar antes, mas na sala existem pias, geladeira, aquecedor de água, lousa e outras coisas para usar entre os integrantes....

Outra coisa que lembrei agora: como o silêncio predomina na sala de estudos, o meio de comunicação mais utilizado é a lousa. Logo ao entrar na sala, você se depara com uma lousa que está cheio de recados sobre tarefas, comemorações, reclamações, etc... vira e mexe eu pego o dicionário e fico na frente da lousa tentando decifrar o que está escrito! Hahaha....

Bom, só para matar a curiosidade, segue um recado sobre uma festa de final de semestre...

sábado, 7 de maio de 2011

MORANGO NO PÉ

No comecinho de maio, fomos comer morango no pé, numa cidade que fica no extremo sul de Osaka, chamada Kishiwada.

Acordamos cedinho e pegamos trem e ônibus rumo as estufas de morango. O esquema é bem simples: você paga 1.300 ienes e pode comer os morangos que estão disponíveis dentro de uma estufa. Pra acompanhar, a gente ganhou um potinho com leite condensado e chantilly.

Como a gente chegou um pouquinho atrasado, não conseguimos achar tantos morangos grandes, mas os que sobraram estavam bem docinhos e gostosos!

No restante do dia, a gente visitou alguns templos da cidade e o castelo de Kishiwada. Curiosidade: a cidade de Kishiwada é tipicamente conhecida por um festival em que os homens carregam um carro ao longo das ruas, com ocorrências de morte por atropleamento! Bizarrice total!

Bom, no final do dia, a gnt resolveu ainda dar uma passadinha no karaokê em Shinsaibashi. Seguem algumas fotos!


quinta-feira, 5 de maio de 2011

AULAS (part 3)

Aproveitando o momento de empolgação para escrever, vou falar da relação entre os alunos...

Nas duas disciplinas que assisti em japonês, tive que fazer trabalhos em grupo... no primeiro momento é assustador ter que trabalhar com pessoas de culturas tão diferentes... mas no final, é muito bom trocar experiências..

***a foto ao lado foi retirada da internet: trata-se da entrada da Universidade, local que passo diariamente!

Na aula de estratégia, a gente tinha que apresentar o conteúdo do livro-texto e um exemplo prático relacionado. O meu grupo era formado por um japonês (denominado como líder), um coreano e uma coreana. Na verdade, nem tivemos tanto trabalho em grupo, porque a gente só dividiu as páginas do livro e decidiu as partes que cada um apresentaria.

A nossa primeira apresentação iria ocorrer quatro semanas após o primeiro dia de aula mas, não sei porquê, o nosso líder instituiu que deveríamos preparar nosso power point duas semanas antes, para que ele tivesse o grande trabalho de copiar e colar tudo num único arquivo e fazer as fotocópias que seriam distribuídas para a classe.... (tipo, eu sei que japonês gosta de se planejar e fazer tudo com antecedência, mas pow, duas semanas antes??? Isso foi muito difícil pra mim que, como bom brasileiro, deixa para fazer tudo na véspera! Kkk)

Não contente com isso, o líder encucou que eu ia fazer a apresentação em inglês (mesmo com a autorização do professor) e sugeriu que eu fizesse pelo menos o power point em japonês, para facilitar o entendimento dos outros alunos... Lá vai eu ler o livro texto em inglês pra entender o conteúdo e depois consultar a versão traduzida em japonês para poder montar os slides... Mas enfim, apesar desses pesquenos contratempos, a apresentação foi de boa... a única coisa foi um kanji que eu escrevi errado e o sensei me corrigiu durante a apresentação... mas até aí, nenhum drama... o professor fez algumas perguntas e considerações e foi tudo tranquilo!

Na aula de método de amostragem foi mais engraçado... o professor fez a divisão do grupo e ficamos assim: eu, dois japoneses e uma chinesa... no dia em que soubemos da divisão, um dos japoneses já chegou falando que a gente conseguiria terminar o trabalho em apenas um dia e que ia ser fácil e bla, bla, bla...

Foi então que a chinesa sugeriu que fizéssemos uma auto-apresentação... nessa hora, além dos nomes, a gente disse em que ano estávamos estudando e eu descobri que o japonês mais folgado estava no segundo ano do mestrado (M2) e que os outros dois estavam ainda no primeiro ano (M1). Eu fui o último a me apresentar e quando disse que eu era aluno de doutorado (D1), o japonês arregalou os olhos, diminui o tom de voz e disse: “me desculpa, mas eu não estava usando uma linguagem formal com você”. Gente, como assim??? Quer dizer que ele estava folgando só porque achava que era nosso veterano? Pois é... hierarquia é algo dominante aqui... só o fato de você estar um ano adiantado nos estudos, te dá o direito de se impor mais nas idéias e até mudar o jeito de falar... absurdo, né???

Bom, eu disse ao japonês que eu não me importava com isso e que ele podia falar sem formalidades comigo.... e foi assim que ele continuou tomando as rédeas do trabalho... a única coisa ruim é que a gente realmente terminou tudo em apenas um dia de discussão, enquanto os outros grupos levaram cerca de 3 ou 4 dias... é claro que o nosso trabalho ficou uma merda droga, né? Mas o interessante é que o japa assumiu a responsabilidade, apresentou o trabalho e ainda nos pediu desculpas (meio com ironia, mas blz) pelo resultado...

Bom, acho que só essas experiências já valeram o meu semestre!