sexta-feira, 11 de março de 2011

GRANDE TERREMOTO - 東北地方大震災

Muitos devem estar pensando neste exato momento: “Caramba, esse tópico está bem ultrapassado, né?”. Pois é, concordo!!! Mas como um dos objetivos desse blog é ser uma fonte de recordações das minhas experiências aqui no Japão, acredito que esse post seja obrigatório. Então vamos lá.

Acredito que a maior parte das informações sobre o acidente já seja do conhecimento de todos. Acredito inclusive que muitas pessoas que estavam fora do país possuíam mais informações do que nós – tendo em vista que vivemos em um país em que não dominamos a língua e que não temos o costume de acompanhar meios de comunicação em massa como TV e rádio.

Como postei diversas vezes nas redes sociais (Orkut, facebook, twitter, etc.), eu não senti o tremor do terremoto. Por estar de férias, estávamos reunidos no alojamento do campus de Minoo jogando Wii e descobrimos, por acaso, que tinha tido um terremoto poucos minutos depois dele ter ocorrido.

Quer saber como descobrimos? Enquanto jogávamos, a Letícia começou a fuçar o facebook pelo iphone e disse: “nossa, teve terremoto... tá todo mundo falando...” Na hora, a gente não deu a mínima e continuou jogando... Foi então que ela insistiu: “gente, deve ter sido forte, porque TODOS estão comentando pelo facebook”. Aí, eu e o Felipe também começamos a procurar algo pelos nossos smartphones. Aí que eu tive a idéia: pow, vamos fazer uma pausa no jogo e vamos ligar a TV!

Gente, foi a partir desse momento que tivemos alguma noção do que estava acontecendo... o repórter estava transmitindo as notícias dentro de um estúdio e estava usando um capacete de proteção... e mais: chegamos a presenciar momentos em que o próprio estúdio estava tremendo... aí pronto... fim do jogo! ficamos zapeando pelos canais tentando decifrar os kanjis e descobrir onde que era o tal do epicentro e ainda: eles mostravam repetidamente um mapa do Japão colorido indicando quais cidades estavam sob alerta de tsunami...

Mas o mais engraçado é que, mesmo vendo aquelas imagens, a gente não teve a noção de quão grande tinha sido aquele acidente... Eu pelo menos pensei que fosse algo comum, que não traria grandes conseqüências... mas por segurança, quando deu umas 19 horas eu liguei pra casa dos meus pais só para dizer que estava tudo bem. Por acaso, meu pai ainda estava dormindo e nem sabia que tinha tido um terremoto...

Bom, nesse ponto eu preciso fazer uma nota de agradecimento. Foram muitos os scraps, twitts, e-mails e telefonemas que recebi de meus amigos e colegas. Pessoas que fazia anos que eu não conversava e entraram em contato para saber se eu estava bem. À todos, o meu muito obrigado pela preocupação.

Aqui cabe outro ponto de discussão: o exagero da imprensa brasileira e internacional sobre os acontecimentos. Tiveram pessoas que me mandaram e-mails desesperados achando que eu estava sem água, comida e energia... isso estava bem longe da realidade (pelo menos aqui em Osaka). O máximo que notamos foi que a compra de água em garrafa estava limitada nos supermercados e alguns restaurantes estavam sem ingredientes para preparar os alimentos – isso porque o sistema logístico do país ficou zoado por algumas semanas.. De resto, foi tudo muito tranquilo!

Outra coisa que se comentou muito foi a civilidade do povo japonês e o seu espírito de equipe. Diferentemente de desastres naturais de outros países, aqui não foram relatados casos de furto e nem disputa por alimentos nos locais afetados. Eu presenciei esse espírito de unicidade no meu dia-a-dia, pois em todos os encontros, reuniões ou cerimônia, foi realizada um minuto de silêncio (黙祷 - MOKUTOU) em respeito às vítimas do acidente.

Outro fato curioso foi perceber como os estudantes estrangeiros – principalmente os da Europa Oriental – ficaram desesperados com a situação da usina nuclear de Fukushima. Exatamente por terem passado pela experiência de Chernobyl, muitos estudantes resolveram simplesmente desistir da bolsa e voltar para seus países de origem. Claro que, ao ver o desespero dessas pessoas, a gente também ficava um pouco preocupado, mas eu não cheguei a pensar em voltar para o Brasil por conta dessa situação. O meu pensamento era: se esse país me acolheu, nada mais justo que eu enfrente essa situação junto com ele, por mais difícil que possa ser. Mas ainda bem que não tivemos nenhum dano maior nessa região.

Bom, para quem estiver interessado sobre o dia-a-dia de quem esteve realmente próximo ao local afetado, sugiro a leitura do blog do bolsista Thiago, que mora em Sendai, e escreveu um diário sobre os acontecimentos. Esse é o post em que ele apresenta o seu relato do terremoto e como foram os dias seguintes: http://thiagojcb.blogspot.com/2011/03/blog-post.html

Se possível, dêem uma lida especial no ‘update 15’ do blog do Thiago. Fiquei arrepiado e com os olhos cheio de lágrimas quando li aquele texto.

Bom, o que mais posso falar desse acidente? Acredito que nada mais... apesar do momento extremamente triste, consigo dizer que tenho orgulho de ser descendente desse povo e digo que aprendi muito com esse modo único de agir e pensar dos japoneses. A única coisa que podemos fazer nesse momento é torcer pela retomada do país e dar apoio às famílias das vítimas: 頑張ろう日本!

Pra não deixar o post sem nenhuma ilustração, seguem três vídeos que foram muito veiculados pela televisão japonesa. Ouvi dizer que esses foram produzidos pela agência de propaganda AC pela falta de anunciantes decorrentes da própria tragédia. Independentemente da verdadeira causa, a mensagem é muito boa e pra quem entende pelo menos um pouco de japonês, vale muito a pena assistir!

O primeiro vídeo é o mais emocionante. Mostra jogadores de futebol que atuam em times de fora do país passando a sua mensagem de apoio, dizendo que as pessoas do mundo inteiro estão juntas com o Japão.

O segundo vídeo é com os integrantes do SMAP, dizendo que acreditam na força do país e que todos devemos nos tornar um só.



O ultimo vídeo é com diversas personalidades conscientizando sobre pequenas atitudes do dia-a-dia para ajudar as vítimas do acidente. Coisas como tirar aparelhos que não estão usando da tomada ou evitar o consumo sem necessidade.

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