O tão esperado dia do Fuji-san (富士山) finalmente chegou! Esse dia tinha um significado todo especial, pois se tratava do objetivo principal da viagem e tinha um quê de superação, pra ver se conseguíamos chegar ao topo... Só um parênteses, esse dia foi o aniversário da Letícia, minha irmãzinha aqui do alojamento. Uma pena não poder estar perto dela nessa data querida, mas fiz questão de ligar algumas vezes pra saber como estavam as comemorações e os preparativos pra festa surpresa. Vou ser dedo-duro e dizer que ela estava quase chorando, pois pensou que ninguém tinha se lembrado do aniversário e que ninguém iria comemorar! =D
Voltando ao Fuji, eu fiz uma preparação especial e acabei gastando mais de 10.000 ienes com as compras... Basicamente, comprei tênis pra escalada, conjunto de blusa e calça impermeáveis, lanterna de cabeça, meia especial pra escalada, luva, camiseta com tecnologia heat e anti-suor pra usar debaixo das roupas, manta térmica de alumínio pra se proteger do frio, garrafa térmica, bebidas em gel, barras de energia, barras de chocolate, vitaminas, etc, etc, etc....
Além disso, a host-mother da Letícia me emprestou umas balinhas de oxigênio (isso mesmo, bala tipo drops que liberam oxigênio) e dois cajados. Ah, a Meg me deu um tubo de oxigênio também... Vocês podem achar um exagero levar todos esses apetrechos, mas acho que foi muito bom esse preparo.
Como, eu tinha passado mal no dia anterior, todos estavam com medo de que eu não agüentasse o tranco. Eu mesmo estava meio receoso com essa subida... Mas no final deu tudo certo... Ah, pra demonstrar a minha preocupação / hipocondria, eu tomei vitamina C na noite anterior, omeprazol no dia, dramim antes de pegar o ônibus e neosaldina quando o sol estava nascendo...
Bom, vamos falar da experiência em si. Pra quem não sabe, são poucos os que começam a escalada do nível mais baixo – a grande maioria já começa do quinto ponto (五合目 - GOGOUME), que fica a 2300 metros de altitude (o monte Fuji possui 3776 metros). Pegamos um ônibus que nos levou até lá e assim que chegamos, fomos fazer as últimas compras e alongamento... não quisemos começar direto pra poder acostumar com o ar rarefeito...
A escalada em si começou por volta das 19 horas... Nessa hora, a temperatura ainda estava tranqüila... apesar de estar ‘friozinho’, o esforço da subida matinha nosso corpo aquecido, o que nos permitia subir só de camiseta mesmo... No começo, fomos todos juntos, conversando e ajudando uns aos outros. Demoramos cerca de uma hora e meia pra chegar até o sexto ponto. Nessa hora, como tínhamos sinal de celular, aproveitei pra ligar pra Letícia e desejar felicidades mais uma vez (cantamos parabéns) e liguei pro Brasil, pra avisar meus pais que estava subindo.

Pela foto, dá pra perceber quais equipamentos estávamos usando e como foi ficando cada vez mais frio. Só pra se ter idéia do tempo, chegamos às 21:45h no sétimo ponto e às 23:50h no oitavo. Cara, essa parte da subida é muito difícil, pois tem umas pedras gigantes que você precisa se esticar todo pra conseguir alcançar com o pé... Ah, foi nesse ponto também que eu vi uma velhinha rolando no chão, em frente à Cinthia. Tive um momento de desespero, pois achei que era a Meg quem tava caindo... *não que eu tenha ficado feliz de ver a velha caindo, mas antes ela do que um dos nossos! Hauahuahaua....
A partir do sétimo ponto, fomos nos distanciando das garotas, pois não era possível ficar esperando e andando em grupo - acho que chegamos no oitavo ponto meia hora antes delas. Foi então que decidimos, a partir dali, nos separar e subir cada um no seu ritmo. Basicamente, ficamos em três grupos: eu, Koji e Carlos na frente, Kaori e Kat no meio e Meg e Cinthia por último.
Foi nessa parte que o nosso grupo se empolgou demais e começou a subir quase sem descansar... Sempre fazíamos paradas curtas, de uns 5 minutos e já continuávamos com a escalada. Na verdade, estávamos preocupados com o possível trânsito de pessoas... mas essa foi a nossa grande besteira, pois nessa empolgação, acabamos chegando ao topo (décimo ponto) lá pelas 3:30hs... Se você é bom de cálculo, fizemos o percurso inteiro em 8 horas e meia.
Assim que chegamos, fomos procurar um bom lugar pra poder ver o nascer do sol e se proteger do frio... achamos uma ‘caverninha’ (que estava cheio de japas barulhentos) pra nos proteger do vento, mas mesmo assim, tava frio pra kralho.. e não foi nada legal ter que esperar por quase duas horas até que o bendito sol aparecesse... Cara, foram momentos tensos... pensei que fosse congelar de tanto frio....
Bom, o nascer do sol é muito, muito bonito.... as fotos e o video traduzem um pouco do sentimento e da beleza do momento... pena que eu não consegui curtir muito, porque estava com muito frio e só pensava em começar a descer.... (inocência minha, que não sabia que o pior ainda estava por vir...).

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